“Não temos que ter um Estado mínimo e nem um máximo. Temos que ter um Estado necessário, na medida certa. Quem paga coisas inúteis com o dinheiro público, acaba sem fazer as coisas úteis.” Alceu Moreira

Home > Imprensa > Artigos

Desindustrialização: silenciosa e avassaladora

Silenciosa e avassaladora, a crise da desindustrialização tem desmobilizado a economia nacional e deixado nossa competitividade ainda mais combalida.

18/02/2016

Silenciosa e avassaladora, a crise da desindustrialização tem desmobilizado a economia nacional e deixado nossa competitividade ainda mais combalida. O anúncio recente da queda no desempenho da produção industrial em 8,3% no ano passado traz à tona um debate que merece maior espaço.

A redução divulgada pelo IBGE é um marco histórico negativo, um índice pior inclusive que os 7,1% recuados em plena crise mundial de 2009. Dos 805 produtos pesquisados, 78,3% registraram queda.

Para exemplificar o tamanho do rombo, apenas em 2015, segundo o IBGE, a produção de veículos caiu 25,9%, de máquinas e equipamentos 14,6%, de eletrônicos 30%, a metalurgia 8,9%, os derivados do petróleo e bicombustíveis 5,9%. Não bastasse os números preocupantes, temos o agravante da compra de produtos mais competitivos, como os chineses, que em algumas áreas entram no Brasil até 40% mais baratos que os nacionais.

Ainda presenciamos a retração do nosso parque tecnológico proporcionalmente à utilização da mão-de-obra especializada. As máquinas obsoletas poderemos trocar por novas mais modernas, mas, como consequência, não teremos trabalhadores com a capacitação para operá-las.

Inoperante, o governo parece ignorar os dados da economia e não enxergar a receita de fracasso que países viveram num passado recente, como no caso da Argentina. E alternativas de sucesso, como a Alemanha, que mesmo após duas guerras conseguiu reerguer seu parque industrial e liderar a economia europeia e global.

Algumas medidas como a redução de tributos, investimentos em infraestrutura e em alternativas às commodities - monopólio de quase 50% das exportações no país e 66% no RS - não são apresentadas ou sequer sinalizadas. Ou o governo encara esse problema de frente, com a seriedade necessária que a situação impõe, ou em breve seremos um país sem indústrias relevantes e nenhuma competitividade, apenas com ainda mais desemprego batendo à porta.