“O desenvolvimento só acontece de verdade quando desenvolvemos as pessoas. Quem produz bem estar e riqueza são homens e mulheres. Pessoas habilitadas formam sociedades desenvolvidas.” Alceu Moreira

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O Brasil que dá errado e o que dá certo*

O rebaixamento do Brasil por mais uma agência internacional de classificação de risco, dessa vez a Fitch, deixa claro que nos vemos diante de dois “Brasis”: o Brasil que dá errado, em que a inflação e o desemprego são realidades cada vez mais p

26/10/2015 - *Alceu Moreira

O rebaixamento do Brasil por mais uma agência internacional de classificação de risco, dessa vez a Fitch, deixa claro que nos vemos diante de dois “Brasis”: o Brasil que dá errado, em que a inflação e o desemprego são realidades cada vez mais presentes, e o Brasil de possibilidades, aquele que em diversos setores, como no exemplo da agricultura, dá certo.

Enquanto o governo fizer questão de tratar uma economia de mercado pelo viés das teses bolivarianas, viveremos no Brasil que dá errado. Essas teses são utilizadas em todas as esferas do poder, apesar do governo tentar maquiá-las a todo o custo. A política econômica aplicada não é apenas equivocada, mas gerida a fim de justificar a necessidade de um Estado tutor paternalista, que conduziu o país à recessão e que hoje se encontra à beira de um colapso.

O governo tenta criminalizar o capital, como se tudo que é privado fosse ruim. Vide as terceirizações - embora altamente criticadas, estão presentes de forma maciça em todos os braços do governo, tanto na administração direta como nas estatais. Enquanto isso, o governo pedala as contas valendo-se do dinheiro dos bancos públicos para esconder os buracos cavados pela irresponsabilidade administrativa. Outro dia ouvi de um deputado petista da Câmara que roubar cinco bois de um fazendeiro não é crime, mas roubar de um pequeno proprietário é. Além do desrespeito à propriedade, conquistada com suor e com trabalho digno de quem quer que seja, as leis e a justiça também são manipuláveis de acordo com as suas ideologias. Infelizmente não é um Estado utilizado como instrumento de busca de solução de vida para as pessoas, mas para a subserviência e para os preconceitos ideológicos.

E é especialidade não apenas do Brasil, mas de diversos países que seguem essa vertente ideológica de ludibriar os cidadãos, fazendo-os acreditar que necessitam viver “embaixo de suas asas”. Criam centenas de regras, burocratizam os processos produtivos sob a alegação de proteger os empregados, mas na realidade, afastam cada vez mais os empregos, que hoje inexistem para quase 20% dos nossos jovens. A burocracia só justifica o ciclo esquizofrênico de uma estrutura pública enorme, que se coloca como imprescindível, mas que sabidamente não é. São burocratas especialistas em legislação negativa, em dizer o que não pode fazer, ao invés de atuarem como indutores de desenvolvimento, dizendo o que se pode fazer.

O discurso do governo é como uma serenata, onde a lua é bonita de se ver, mas impossível de se ter nas mãos. Atrás de todo esse embuste, infelizmente, os mais necessitados, aqueles que o governo finge priorizar, voltam a empobrecer e a se endividar, basta ver as projeções de inflação a quase 10% e o preocupante aumento dos índices de inadimplência no país.

Alguém já se questionou por que o Banco do Brasil e a Caixa Federal são referências no setor financeiro? A resposta é simples: porque nesse caso, a competição do mercado obriga essas instituições a terem processos aprimorados, a buscar eficiência e competitividade. Elas jogam o mesmo jogo dos bancos privados e não escalam o time para perder. A maioria das estatais é ineficiente e onerosa porque, ao contrário dos bancos, não há competição. São estruturas montadas muito mais para servir quem está dentro delas do que a finalidade para a qual foram criadas.

Não há motivos para um Estado tão grande, que abocanha da sociedade quase metade de seu PIB e devolve menos de 3% em investimentos reais. É hora de o Brasil mudar os rumos, levantando a bandeira do uso do capital com responsabilidade social, sem a incompetência e ineficácia do Estado e sem a selvageria do lucro a qualquer custo. No momento em que o tamanho do Estado for diminuído a níveis aceitáveis - o Estado necessário, nem mínimo e nem máximo - teremos então um Brasil pronto para dar certo.